Já fazia algum tempo que eu ouvia boas recomendações de Alcântara. Somado a isso, existia a curiosidade de conhecer o lugar que abrigou a família real portuguesa por certa temporada.
O problema foi que escolhemos a pior maneira de chegar até lá. Pela estrada! Se pensa, algum dia, visitar Alcântara, jamais o faça por via terrestre. Prefira o acesso por escuna/barco que saem diariamente de São Luís.
Era nossa primeira viagem de carro para um outro estado, então decidimos arriscar, mesmo sabendo que o caminho era cheio de percalços (só que a gente não imaginava que era tanto!). Encontrar um pedacinho de asfalto no meio daquela buraqueira toda é como encontrar um oásis no deserto. Já se pode sentir o drama!
Saímos de Belém às 7 horas da manhã, já com as paradas definidas no roteiro (refeição, abastecer o carro e as outras intercorrências). Até Alcântara seriam cerca de 570 km.
Alcançamos Alcântara às 17 horas, depois de um rali penoso. A pousada que reservamos fica no que pensamos ser a principal rua da cidade. Chama-se Pousada do Mordomo Régio (sem site oficial, mas esse link pode ajudar http://blogalcantara.wordpress.com/2008/09/18/pousada-do-mordomo-regio) e soubemos que o prédio que abriga a pousada foi antes a academia de letras da cidade.
Fachada da pousada
Boa parte da arquitetura local é do período colonial, com construções de pé direito alto e varandas. As ruas revestidas de pedras e as arandelas na parte externa das casas dão um charme particular. A iluminação nessa cidade é toda subterrânea, portanto, dispensando os postes e fios que poluem o visual.
Caminhando pela cidade, é possível encontrar muitas ruínas de igrejas ou pequenos castelos construídos para abrigar a família real em uma temporada que passaram ali. E isso traz todo aquele ar histórico que a cidade tem.
Em Alcântara, está instalado um centro de lançamentos de foguetes. A sede fica no centro da cidade, mas a base dista alguns quilômetros do centro e está aberta a visitas, mediante autorização. Existe a possibilidade de visitar, também, quilombos que existiram ali. Ainda há descendentes de escravos vivendo nesses quilombos.
Por ser uma cidade pequena, esgota-se Alcântara em apenas um dia de visitação. Caso queira uma orientação sobre as particularidades da cidade e seus pontos históricos, há vários guias circulando por lá, que são, claro, moradores tentando descolar um trocado.
Uma coisa gostosa de se fazer é aproveitar o entardecer ventilado na praça central, admirando o mar e comendo um doce de espécie (que se parece com a cocada). Isso é o que pode se chamar de vida mansa.
Alcântara é muito charmosinha. É mais um pedacinho da história (nem sempre exemplar) desse nosso Brasil. Ruínas, quilombos, traços que ainda são mantidos para registrar essa história. Mas lembre-se: evite chegar por via terrestre! ;)
Um comentário:
Adorei as fotos, Karla! Alcântara certamente estará no meu roteiro quando for ao Maranhão. Valeu pelas dicas! ;)
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