domingo, 22 de maio de 2011

Istambul

Nesse pequeno roteiro de viagem, a maioria das pessoas me pergunta o porquê de haver escolhido a Turquia, particularmente Istambul. Eu realmente sabia muito pouco sobre o país, embora sempre tenha tido curiosidade pelo Oriente. Mas durante esses anos de 'surf' pela internet, a gente acaba fazendo contato com pessoas pelo mundo e um desses contatos foi o Serkan, morador de Istambul. Falávamos sobre a cidade e alguns pontos do país e ele me enviava fotos. Uma dessas fotos foi de um passeio de balão pela Capadócia. Aí gamei! Decidi que queria ir lá também. E foi então que encaixei o espaço de quase quatro dias no roteiro. Mas o meu erro foi não pesquisar mais sobre a Capadócia e na minha ingenuidade acabei acreditando nos relatos de 'muito cuidado com os turcos'. Era a primeira viagem sozinha e em um país muçulmano, de tradições diferentes, de uma visão diferente sobre a figura da mulher, então acabei deixando a Capadócia de lado, por ser um lugar mais remoto e de acesso um tanto complicado, caso se decida ir de ônibus - os bilhetes aéreos costumam ser bem mais caros e é prudente planejar com bastante antecedência.
Comprei um vôo amsterdã-istambul-veneza, já que visitar uma amiga em Veneza seria o próximo passo. Cheguei em Istambul às 20 horas e, para minha surpresa, minha mala havia ficado em Munique porque não houve tempo de embarcá-la na conexão. Resolvido o problema com uma funcionária do aeroporto muito atenciosa (que até hoje não esqueço o nome dela: Fatos), encontrei com o pessoal do transfer e segui pro hotel. A mala seria entregue no dia seguinte. Ah, o hotel também foi um achado do Serkan, que conhecia o amigo do amigo do dono do hotel e conseguiu uma barganha pra mim. Hotelzinho em estilo otomano, muito charmoso. A diária normal era 60 euros pra um quarto single, mas paguei 30 euros. O transfer aeroporto-hotel-aeroporto saiu por 40 euros. Os amigos da internet são valiosos!!!
Aqui vai o link do hotel, a quem interessar possa: http://www.yusufpasakonagi.com/
Dia seguinte, dia de incursões. O hotel em que fiquei é bem no coração de Sultanahmet, bairro na parte asiática de Istambul, a dois passos da Aya Sophia, Mesquita Azul, Palácio Topikapi, entre outros. Como era uma terça feira e o Palácio Topikapi não abre nesse  dia, só me restou os outros pontos nos arredores. A Aya Sofya ou Basílica de Santa Sophia é espetacular!!! (em junho de 2009, a entrada custava em torno de 10 liras turcas).
Aya Sofya
Entrada da Aya Sofya, que também é um museu arqueológico
 

Dentro do Aya Sofya, que já foi mesquita, depois igreja e hoje é museu

Coluna da transpiração (a ideia é colocar o polegar direito em um buraco que há na coluna e girá-lo, porque acredita-se que traz boas vibrações... se dá certo eu não sei, só sei que entrei na fila) 

 A Mesquita Azul (Blue Mosque) com seus seis imponentes minaretes é fascinante. Como é muito turística, não há exigência de cobrir a cabeça com o véu (que são emprestados na entrada), mas somente os ombros e braços. Os sapatos devem ser retirados também e acondicionados em um saco plástico também fornecido na entrada (que é franca).

Vista da imponente mesquita azul

Pátio da mesquita azul

Interior

Outra visita magnífica foi ao Palácio Topikapi (que não abre às terças-feiras). Era morada de sultões e fica localizado à beira do Mármara, proporcionando uma vista maravilhosa. É possível notar que os portais dos diversos palacetes são banhados a ouro. Na verdade, a suntuosidade é percebida desde os jardins, na entrada.



maquete do Topikapi


Outro lugar emocionante de se ver é a Cisterna Basílica. Herança romana, já foi usada como locação para um dos filmes de James Bond.


O Grand Bazaar é a versão torre de babel do comércio. Todo tipo de artigos de artesanato e comida sendo oferecido. É bem fácil se perder ali porque existem várias entradas/saídas e todos os corredores se parecem e bastam apenas alguns poucos minutos para que você não saiba por onde entrou. 

Uma das entradas do Grand Bazaar



Ponto que não pode deixar de ser visitado é a Torre Gálata. Ela tem cerca de 70 metros de altura e foi construída no ponto mais alto da cidade. No passado, foi utilizada como ponto estratégico para verificar as embarcações que se aproximavam do território. A partir dessa torre, é possível ver cada canto de Istambul e digo a vocês que foi nesse local que pude perceber o fascínio e vibração dessa cidade.




O fantástico de se estar em Istambul é que, em questão de minutos, você pode atravessar de um continente a outro. Sim, isso porque Istambul é a única cidade do mundo que está sitiada em dois continentes - Europa e Ásia. A Ponte Gálata, que passa sobre o Mármara, liga a parte européia à parte asiática.

Ponte Gálata vista do alto da Torre Gálata

É também ponte levadiça, para dar passagem às grandes embarcações

O click é da parte européia. Do outro lado, onde se vêem os minaretes, é o lado asiático


Há museus interessantíssimos - de cerâmicas, mosaicos, indumentárias de povos antigos e, claro, de tapetes. O museu arqueológico é enorme e abriga a tumba de Alexandre, o grande. Como marinheira de primeira viagem, deixei de tomar nota de valores de tickets de entradas, mas posso assegurar que não passam de 15 liras turcas.

Museu de cerâmicas

Museu de indumentárias antigas

Museu de mosaicos (Mosaic Museum)

Museu arqueológico de Istambul

Museu de tapetes

De primeira impressão, fiquei encantada com Istambul. Confesso que cheguei lá toda cheia de preconceitos, achando que era um povo sisudo, fechado. Ledo engano!! Povo vibrante, cidade vibrante. Foi uma doce descoberta. É claro que aquela fama que os turcos têm de serem galanteadores foi constatada. Mas eles dão investida e se você der a entender que eles não podem seguir em frente, eles recuam. Mas eles não dispensam não. Meninas solteiras ficam sozinhas se quiserem!!! É você sentar em algum lugar, que eles chegam chegando, rsrs.

sábado, 14 de maio de 2011

Londres

No roteiro que eu havia traçado, Londres não fora incluída. Que pecado eu cometeria se no apagar das luzes eu não tivesse decidido por visitar a cidade!!! Com tudo projetado, em uma das pesquisas de viagens, me deparei com as ofertas das companhias low cost. Tentadoras! Não pensei nem meia vez e comprei os tickets de ida e volta, saindo de Amsterdã num bate e volta de 3 dias - a bagatela de 60 euros pela Easyjet (http://www.easyjet.com), num vôo de apenas 1 hora. Daí a razão porque os europeus estão sempre arrastando uma mala. Eles se rendem a todas essas facilidades, não tem como resistir.
Numa quarta-feira de junho de 2009, às 19 horas, desembarquei no aeroporto de Gatwick que tem trens saindo a cada 15 minutos para a estação de metrô Victoria (na época £10). A partir daí, é possível você se deslocar para o ponto de estadia sem maiores transtornos. Como o b&b que eu havia reservado ficava no bairro de Victoria, desci ali mesmo. E foi então que se deu meu encontro com a bela Londres. Foi amor à primeira vista!!! Me desapareceu o fôlego ao sair da estação e me deparar com aquela grandiosidade. Olha, não sei explicar, senti algo diferente. Acho que só quem visita Londres sabe a que me refiro.  
De mapa nas mãos, caminhei por alguns quarteirões até o b&b e fiz o check-in. Foi só o tempo de deixar a mala no quarto e seguir as informações que recebi do recepcionista. Como os londrinos são loucos por comida oriental, tive que me fazer de londrina. Um jantarzinho chinês num restaurante charmoso (não gravei o nome, que feio!) com janelões de vidro que permitiam continuar contemplando a minha nova paixão - Londres £17 pelo jantar).
No dia seguinte, minha visão da janela do quarto me deixou eufórica. A cidade me chamava! Conseguia ver o que não pode deixar de ser visitado em Londres.

Vista da janela do meu quarto de hotel

Fiquei sabendo que o hotel oferecia um serviço de guia. Por 35 libras, tive a companhia de um guia indiano durante 4 horas. Acho que foi ali que aprendi mesmo a falar e entender inglês. Gente, que difícil entender o inglês dos orientais!! Só quem é nativo é que saca as coisas. De tanto que eu pedia pra ele repetir, vai ver o pobre estava prestes a me jogar no Tâmisa. Mas ganhei um guia super atencioso que me doutrinou no uso do metrô e os atalhos para alcançar os pontos turísticos.
O legal de Londres é que os pontos principais ficam muito próximos uns dos outros. Então, numa manhã, você consegue ver o Big Ben, o Parlamento, a London Eye, a Abadia de Westminster e ainda assiste à troca da guarda que acontece todos os dias às 11.30 horas durante a primavera e verão. No inverno e outono, existe horário diferenciado e é prudente checar, caso você visite nesse período. E foi o que ocorreu. Meu dia se resumiu nesse perímetro, começando pelo Big Ben e Parlamento (a estação Westminster fica bem em frente dos dois).

O imponente Big Ben

A parte final do prédio do Parlamento Inglês

Passando pela Abadia de Westminster, topando com um double-decker bus, seguindo depois para ver a troca da guarda e contemplar o Palácio de Buckingham. 

Abadia de Westminster



Aquecimento para o changing guard - a troca da guarda do Buckingham 

Fachada do Buckingham
 
Jardins em frente ao palácio



Com uma caminhada final pelo parque St. James até a London Eye, para então de novo comer em um restaurante chinês (eu já sentia meus olhos apertadinhos).

Parque de St. James

London Eye

 A sexta-feira foi reservada para as visitas a London Tower, Tower Bridge e Saint Paul Cathedral (essa última fico devendo as fotos, porque devo tê-las apagado sem querer).

London Tower

Tower Bridge

Na noite de sexta, me aventurei na degustação da culinária indiana. Os pratos com nome em hindu (portanto jamais me lembraria), mas com descrição em inglês. Pedi uma entrada com geléia de manga com pimenta (essa é boa) e uma pasta que parecia de raiz forte (quase engasgo). O prato principal era um peixe que mais parecia enfeitado para um sacrifício, coberto de coentro, especiarias e pimenta... muita pimenta! Mas o sabor era agradável até (£22 pelo jantar). Caminhando pelas ruas de Victoria às 23 horas, sozinha, sem medo algum e sendo flechada pelas muitas câmeras que até então eu não havia notado que existiam, alcancei o hotel. Acordar cedo no dia seguinte, porque o conto de fadas havia terminado. Às 7 horas tomei o vôo de volta a Holanda, saindo de Stansted e foi possível inclusive recuperar o sono no táxi a caminho do aeroporto, de tão longe que é do centro de Londres. Não recomendo esse aeroporto pela longa distância e o tanto que você gasta de transporte para chegar até ele (naquela época paguei 60 libras - um absurdo!).
Mas o saldo disso tudo: conhecer a cidade mais fascinante desse planeta, a ponto de aceitar tocar gaita no metrô como meio de sobrevivência, só para ter a oportunidade de morar lá um dia.
Londres, love ya! 

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Holanda

Depois de toda aquela novidade de tirar passaporte, decidir sobre estadia e descobrir algumas curiosidades dos lugares por onde passaria, finalmente eis que desembarco em Amsterdã. O frenesi era duplo: ver as nuances de um dos países mais liberais do mundo e rever Cecília, amiga de infância, residindo na Holanda há muitos anos. Depois da alegria do reencontro, seguimos para Roterdã, cidade em que Ceci reside.  Porque eu fui recebida em casa de amiga, não tenho dados sobre hospedagem na Holanda. Fico devendo essa informação.
Os dias que se seguiram foram projetados para desbravar. O charme de Roterdã, que é referência para a arquitetura no cenário mundial, se traduziu nos museus. Logo abaixo, entrada do Museu Boijmans (na época paguei 7 euros pela entrada) e uma das exposições, que a propósito era de um brasileiro: Hélio Oiticica.

Entrada do Boijmans

Obra 'Útero' de Helio Oiticica

    As construções da parte mais antiga de Roterdã são as que subsistiram aos flagelos da guerra. Arquitetura muito charmosa. O legal são as grandes janelas de vidro, em que é possível contemplar a decoração das casas e até mesmo os porta-retratos com as fotos da família... é possível até você imaginar a história daquelas pessoas. Como eu sou andarilha, eu passava várias vezes à frente daquelas casas, me deleitando com cada detalhe, mas me senti retraída em registrar aquelas imagens... não sei se a câmera captaria o que eu via. E cada vez, me imaginava ocupando algum daqueles apartamentos, acrescentando os meus detalhes.


Num outro dia, foi a vez de conhecer outra cidade: The Hague, a sede do governo holandês. Com direito a ver um palácio pela primeira vez na vida! Com carruagens desfilando por toda parte, a cidade é um museu a céu aberto. Sem contar que o lugar é todo organizadinho, parece casinha de bonecas... e tem uma praia!! Mas que é só pra admirar as ondas quebrando, porque a água congela horrores. Acho que deve existir alguns corajosos que se aventuram no sacrifício.

Palácio oficial da família real







E finalmente, encontrando a vibração de Amsterdã. A rua da luz vermelha com oferta de sexo para todos os gostos, as lojas com venda de maconha e haxixe, uma parte da cidade que nos afronta com uma visão surreal. O lugar é também um show de cultura... os muitos museus confirmam isso. É vibrante porque há gente circulando todo o tempo, artistas de rua expondo suas habilidades, um não sei quanto de línguas faladas. Nossa!! E as barraquinhas de flores?? O aroma que vai se espalhando ao redor e o colorido que deixa tudo mais divertido. O passeio de barca pelos canais é imperdível!! Uma visitinha ao museu de cera Madame Toussaud é de lei (paguei 20 euros pela entrada), mas você pode adquirir os tickets, previamente, através do site (http://www.madametussauds.com).

Querendo ver algo diferente, basta desembolsar alguns poucos euros (na época 2 euros)

As moças nas vitrines oferecendo os seus 'serviços' 


Museu bem no meio de um dos canais

Outro palácio da família real, mas que hoje é um museu

Ceci - reencontro após quase 20 anos 



O passeio de barca, pelos canais


Eu e Bono no Madame Tussaud :)



Pena que foi só um dia... mas um dia intenso, de verdade. Tem aqueles lugares que você registra na memória como sendo um digno de retorno e Amsterdã é um deles.
Devo frisar que locomover-se na Holanda faz-se basicamente por trem. E eu particularmente acho que o preço é um tanto salgado. À época (junho/09), um one way ticket de Roterdã para Amsterdã custava 11 euros. Mas considerando-se que se você estiver em Amsterdã e deseja visitar alguma outra cidade, isso pode ser feito apenas uma vez, já que é possível esgotar as visitas num só dia.
Vale visitar!! É o que posso garantir.